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sábado, 16 de novembro de 2013

241- TREM DIRETO - BELO HORIZONTE A SÃO JOÃO DEL REY

Prezados visitantes, saudações!

Gostaria de pedir-vos, por gentileza, que leiam esta postagem, abaixo, que mais adiante, farei alguns comentários a respeito da mesma. 


Trem direto, assim chamado por fazer um longo percurso parando em pouquíssimas estações, da mesma forma que percorria linhas diferentes da Rede Mineira de Viação, aproveitando-se das linhas da antiga E. F. Oeste de Minas. O trem, segundo as informações obtidas - poucas, e através de Guias Levi de 1936 e 1938 (em um guia de 1932, este trem não existia) - parava em apenas 1 estação durante o percurso: Divinópolis, além das duas terminais - Belo Horizonte e São João del Rey. Ele se utilizava de 2 linhas diferentes: a linha BH-Garças, onde em Divinópolis os passageiros eram obrigados a mudar de trem, pois, dali até São João del Rey, a linha a ser utilizada era a de 76 cm, a célebre "bitolinha" e linha original da extinta EFOM. Aliás, isso mostra que esse trem não era tão "direto" assim: a mudança de composição tomava tempo e era sempre um transtorno. Pelo horário ao lado, de um Guia Levi de 1938, tinha de ser feita em 10 minutos na ida e 16 minutos na volta. Em 1940, este trem não existia mais.
Percurso: Belo Horizonte, MG, a São João del Rey, MG, passando por diversas linhas da antiga EFOM, inclusive a da "bitolinha" de 0,76 cm.


O horário acima não dá indicação se os trens eram diários ou se corriam três vezes por semana, como a maioria dos trens "diretos" da RMV nessa época.

Este trem foi provavelmente uma tentativa - frustrada, pois, como outros trens "diretos" de longo percurso, o trem não durou muitos anos - de se incrementar o turismo a São João del Rey, cidade histórica, a partir de um trem mais rápido para quem morava em Belo Horizonte. O trem tinha carro dormitório no trecho da "bitolinha", que era sempre percorrido à noite. Trens diretos não existiram muito no Brasil: pode-se considerar esta linha uma linha rara. (informações baseadas em Guias Levi dos anos de 1932, 1936, 1938 e 1940). Porém, há comentários que mostram que a situação pode ter sido um pouco diferente: "Acredito que, com relação aos trens de longo percurso da RMV, não me parece ter sido possível que eles parassem em apenas três ou quatro estações durante o percurso. Por exemplo, entre BH e Divinópolis, provavelmente havia a parada em Itaúna; o mesmo deveria ocorrer entre Ribeirão Vermelho e Três Corações, com parada em Lavras. Enfim, acho que o Guia Levy, fonte de consulta, restringiu as informações das paradas, talvez por se tratarem de linhas muito secundárias, fora do foco do Guia ou talvez por pura falta de informação. Não pode ser típico que os trens da RMV fizessem percursos assim tão diretos, suprimindo paradas em cidades de porte – nem a Paulista, a soberana Paulista, tinha percursos tão diretos com os seus famosos “Trens Azuis”. Também não havia condições técnicas, culturais, políticas, enfim, que possibilitassem percursos tão longos com pouquíssimas paradas. Acho que o Guia Levy literalmente suprimiu as informações das demais paradas, indicando apenas as paradas onde ocorriam troca de composições, ‘baldeações’, etc. Quanto aos carros dormitório, acredito que as informações procedem. Eram conectados para utilização apenas nos períodos de percurso noturno. Na época, os usuários os utilizavam somente para realmente dormir, preferindo permanecer nos carros de primeira classe nas demais horas da viagem para sociabilizar (meu avô fazia o mesmo em suas viagens de trem ... dizia o português, “a cabine eu só utilizo para dormir” ... nos demais horários da viagem, “permaneço no carro de primeira, no restaurante ou, quando havia, no carro salão” - o pullman). De qualquer forma, são apenas comentários muito mais intuitivos do que fundamentados em dados reais" (Elly R Oliveira Jr., 02/2007).


Página extraída do site: www.estacoesferroviarias.com.br

Por Ralph Giesbrecht Mennucci



Bom, meu caros visitantes, vamos aos comentários!

Bem, o trem existiu, de fato, e fazia o percurso Belo Horizonte a Divinópolis em bitola métrica (não o esqueçamos, a E. F. Oeste de Minas possuía bitola métrica também), sendo a bitolinha (76 cm) entre São João Del Rey a Tiradentes. Existe uma foto de um genuíno Carro Dormitório (Leito) em madeira e digo mais, com truques para a linha da bitolinha, que confirma que este trem de fato existiu. Outro fato que não deve passar despercebido, jamais, é que os trens normalmente mudavam o seu prefixo, quando passava, por exemplo, de uma ferrovia para outra a exemplo do que acontecia entre a EFCB e a EFVM (NF-31 era absolutamente o mesmo trem RD-2 ou P-2, conforme a época). Daí acreditar que esse trem de BH a S. J. Del Rey não existia no Guia Levi de 1932, mas existia nos Guias Levi de 1936 até 1940 pode se tratar de um caso desses.  

Esse trem direto de Belo Horizonte a S. J. Del Rey, de fato se utilizava de duas linhas; a Linha Belo Horizonte a Garças de Minas que, não o esqueçamos, era de bitola métrica (1,00 m), e a linha Divinópolis a S. J. Del Rey que, a partir de Divinópolis, era a famosa bitolinha de 76 cm. Quanto a isto, o fato da baldeação dos passageiros em Divinópolis procede, era realmente verdade devido a essa mudança de linha e bitola. 

O Guia Levi, acreditem nisso de verdade, apenas restringiu as informações das paradas e acredito que eram paradas pequenas, cujo tempo era de um minuto de espera e partida do trem e jamais por falta de informação. Admito até que tenha restringido essas informações por se tratar mesmo de trechos secundários, outros com paradas até desativadas, mas por falta de informações??? Numa fonte de consulta e pesquisa??? Não.

Quanto ao Carro Dormitório, lembrando que este possuía truques de bitolinha (76 cm) e era engatado na composição somente de Divinópolis, as 20 horas e 10 minutos (vide horário) a São João Del Rei, onde chegava às 6 horas e 30 minutos da manhã do outro dia.

Vejam a foto abaixo:

Foto de acervo histórico do amigo João Marcos, editada em seu blog Minas's Trains




Carro Dormitório (leito) de madeira, D-2, da E. F. Oeste de Minas

Vejamos o que o amigo João Marcos diz:

Os carros-dormitório (conhecidos como carros-leito nas companhias maiores) eram usados na EFOM para acomodar passageiros em viagens longas durante a noite. Com a erradicação de mais de 500km de via férrea em 1966, eles foram sendo deixados de lado. Eram identificados na tablatura de prefixos pela letra "D". Apenas a unidade acima, o D-2, foi preservada na cidade de Antonio Carlos, apesar de pintado erroneamente como sendo da "estrada de ferro mais estreita do mundo" (E.F Perus-Pirapora, Tramway da Cantareira e diversas banana railways de fazendas em Santos e Guarujá usavam bitolas menores). Autor desconhecido.

Portanto, caros visitantes, não é mito, não é invenção, mas a pura e genuína realidade, o Dormitório da foto acima, realmente serviu no chamado Trem Direto de Belo Horizonte a São João Del Rey, viajando, entretanto, somente entre Divinópolis e São João Del Rey, jamais vindo em Belo Horizonte justamente por essa diferença de bitola. Lembrando as informações que existem no próprio Dormitório restaurado, que sua viagem inaugural ocorreu em 30 de Setembro de 1880.

De Divinópolis à São João Del Rey, o percurso durava aproximadamente 10 horas e 20 minutos, tempo mais que suficiente e necessário para uma viagem noturna.

Outra coisa que me chamou a atenção é a existência de um Carro Restaurante em madeira, da E. F. Oeste de Minas e que, certamente, também serviu nesta composição, pelo mesmo motivo que uma viagem de longo percurso exige um Carro Restaurante. 

Vejam o Restaurante da foto abaixo:


Foto de acervo histórico do amigo João Marcos, editada em seu blog Minas's Trains





Carro Restaurante G-1, da E. F. Oeste de Minas

Vejamos o que diz, novamente, o amigo João Marcos:

O carro-restaurante era, basicamente, o estágio da composição onde os passageiros do trem faziam refeições. Na RFFSA, carros com essa morfologia eram identificados pela letra "G". Foto da coleção de diversos colaboradores.

Claro que o Restaurante da foto acima já estava na fase RFFSA-SR2, lembrando-se a história da RFFSA-SR2, de que ela surgiu da união de várias linhas antigas, incluindo a malha da E. F. Oeste de Minas.

Aí está, mais uma vez, a história sendo, aos poucos, desvendada. Entretanto, quero sinceramente parabenizar o meu nobre amigo Ralph Giesbrecht Mennucci pelo empenho em resgatar a memória histórica das ferrovias e pelo excelente trabalho que vem realizando com esse fito, ao longo de muitos anos!

Hélio dos Santos Pessoa Júnior

16/11/2013