Prezados visitantes

Todo o conteúdo deste blog, tais como textos, fotos, vídeos e documentos, é salvo em DVD, razão pela qual estão numeradas as postagens.

domingo, 18 de maio de 2014

245- Lembranças da Antiga Estação Ferroviária de General Carneiro - Ramal de Belo Horizonte

Prezados visitantes, saudações!

Segue, abaixo, um pouco da história da antiga Estação Ferroviária de General Carneiro, um antigo bairro que se encontra entre as cidades de Belo Horizonte - MG e Sabará - MG. Da antiga Estação de General Carneiro parte o antigo Ramal de Belo Horizonte, construído em 1895, mesmo ano no qual a antiga Estação de General Carneiro fora construída.


Vejam o que a fonte de pesquisa, abaixo, diz:

A Estação Ferroviária de General Carneiro e seu ramal ferroviário foram construídos para facilitar o transporte de pessoas e de materiais destinados às obras de construção de Belo Horizonte, a nova capital de Minas Gerais. Antes, o transporte de Sabará à antiga região do Curral Del Rei era muito lento, feito quase sempre por boiadas, que demoravam dias de viagem.

Quem cedeu o terreno para a construção da Estação Ferroviária foi a Companhia Industrial Sabarense, dona da fábrica de tecidos de Marzagão. Na época, a região, onde hoje fica o bairro General Carneiro, tinha o nome de Arrudas. A Estação também nasceu com outro nome: Entroncamento.




O nome "General Carneiro" foi dado à Estação em 1894, em homenagem a um militar, o General Antônio Ernesto Gomes Carneiro, morto no episódio do Cerco da Lapa (no Paraná) e considerado herói na revolução Federalista de 1892-1894. A partir daí, a região em volta da Estação passou a ser conhecida como General Carneiro.




O ramal ferroviário foi inaugurado em 1º de fevereiro de 1895 para o tráfego de pessoas e mercadorias, mas o prédio da Estação só foi totalmente concluído em 7 de setembro de 1902.




O projeto de arquitetura da Estação foi elaborado por José de Magalhães. O prédio era muito bonito e diferente das outras estações, por "apresentar uma raríssima forma triangular destinada a permitir as locomotivas manobras de retorno na mesma direção". (Jornal Nossa Comunidade, 1999, p.2). A Estação tinha 27 portas e nenhuma janela!! A Estação de General Carneiro foi construída na mesma época em que a Estação Central, de Belo Horizonte, onde hoje funciona o Museu de Artes e Ofícios.




A Estação existiu por mais ou menos 70 anos. Ela foi demolida na década de 1960. Na época da demolição, o diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil em Minas, Sr. Bernardo Rosa Pimentel Barbosa, disse que ela seria demolida porque era anti-funcional. Em seu lugar seria construída uma outra estação mais moderna, para melhor atender os passageiros. Ele falou também que reformar a antiga estação ficaria mais caro do que construir uma estação nova.




A população de General Carneiro ficou revoltada com essa medida pois considerava a antiga estação como um valioso patrimônio histórico da região. As próprias crianças ficaram muito tristes com o desaparecimento da Estação, assim como todo o povo.




Nós também ficamos tristes com a demolição da Estação Ferroviária de General Carneiro, mas nós ajudamos a preservar sua memória, pesquisando sobre ela.





General Antônio Ernesto Gomes Carneiro

Antônio Ernesto Gomes Carneiro nasceu na antiga cidade do Serro Frio, hoje Serro, Minas Gerais, no dia 28 de novembro de 1846. Seu pai era farmacêutico e sua mãe era muito religiosa, queria que ele fosse padre. Gomes Carneiro cresceu ajudando o seu pai, entre os frascos e potes da farmácia.

Ele começou os estudos na sua cidade, foi para o Seminário de Diamantina e depois estudou em Curvelo. Fazia o curso de Humanidades, no Rio de Janeiro, quando estourou a Guerra do Paraguai (exércitos paraguaios invadiram o Brasil). Gomes Carneiro alistou-se como soldado, no dia 2 de janeiro de 1865 – ele foi o primeiro soldado do corpo de Voluntários da Pátria – e foi para o Rio Grande do Sul combater. Ali, teve início a sua carreira militar. Ele percebeu que nasceu para as armas.

Na Guerra do Paraguai, conquistou os postos de primeiro sargento e alferes, por bravura. Em 1872, matriculou-se na Escola Militar. Foi promovido a Tenente (1875), Capitão (1877), Major (1887), Tenente-Coronel (1890) e Coronel (1892).

A batalha mais importante da qual participou o Coronel Gomes Carneiro ficou conhecida como o Cerco da Lapa. Ela aconteceu durante a Revolução Federalista do Sul, entre 1893 e 1895. As tropas do Coronel estavam em grande desvantagem – eram pouco mais de 600 homens contra cerca de 3000 adversários – e ainda assim, o Coronel resistiu por 26 dias ao combate. Apesar da derrota do Coronel Carneiro, o tempo em que ele conseguiu resistir permitiu que o governo organizasse tropas para combater os revoltosos. Esse sangrento acontecimento militar contribuiu para a consolidação da República.

Durante essa batalha, o Coronel Gomes Carneiro foi ferido de morte. Ele foi atingido por um projétil no fígado, no dia 2 de fevereiro de 1894 e morreu dois dias depois, no dia 9 de fevereiro, na cidade da Lapa, no Paraná. Morreu aos 48 anos e deixou descendentes em Curitiba. Está enterrado no Panteon dos Heróis, junto com outros combatentes. Um dia antes de morrer, ele foi promovido a General, mas não recebeu a notícia a tempo.

Antônio Ernesto Gomes Carneiro entrou para a história como o “Herói da Lapa”.

Pesquisa elaborada por: Ariel, Gustavo e Maiara

Fonte: http://oficinadehistoriaaffas.blogspot.com.br/


Bem, meu caros visitantes, desnecessário se torna falar da extrema importância histórica, tanto do antigo bairro, na época da construção da estação, conhecido como Arrudas, quanto da própria estação ferroviária, que fora um marco importantíssimo para a construção e desenvolvimento da nova capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, uma vez que as viagens eram muito longas, feiras em lombos de animais (cavalos, mulas) e até carros de bois, em grandes boiadas, como relata a pesquisa acima. A chegada dos trilhos da antiga Estrada de Ferro Dom Pedro II (Estrada de Ferro Central do Brasil desde 1889) trouxe grandes perspectivas e progresso, para o desenvolvimento da nova capital mineira, bem como da região margeada pela via férrea. 

Da antiga estação ferroviária de General Carneiro, também conhecida como Estação de Marzagão, nome dado pela antiga Companhia Industrial Sabaraense, que deu origem à fábrica de Marzagão, parte o ramal de Belo Horizonte; o ramal de Nova Era - MG e parte da Linha do Centro com destino a Montes Claros, passando por Capitão Eduardo, de onde parte a Variante de mesmo nome, que elimina grande parte do antigo ramal de Nova Era.

Vejamos as imagens, abaixo:























Fonte: http://destinosabara.blogspot.com.br/2010/10/blog-post_11.html


Olhando-se esta foto, à esquerda, onde se encontra um garoto, pode-se visualizar parte do ramal de Belo Horizonte. A linha, em primeiro plano, é o início do ramal de Nova Era, que passa por Sabará, Santa Bárbara e Nova Era, no sentido para Vitória - ES, sendo este, portanto, o Antigo Ramal de Nova Era. À direita, onde se encontra o Guarda-chaves, temos uma linha de manobra, que faz um entroncamento na Linha do Centro (bem atrás da estação, entroncando-se à direita), com destino a Montes Claros, passando por Capitão Eduardo, de onde parte a Variante de mesmo nome, que elimina grande parte do antigo ramal de Nova Era, repetindo o que fora dito acima.


Pintura em óleo sobre tela, do artista Robson Neves, editada no site: www.estacoesferroviarias.com.br 


Através dessa maravilhosa pintura a óleo sobre tela, do artista plástico Robson Neves, retratando a Estação de General Carneiro, percebe-se claramente os detalhes; o trem à esquerda, está vindo de Belo Horizonte - MG, através do ramal de Belo Horizonte. O trem, à direita, ou está vindo de Montes Claros, na Linha do Centro, ou está em manobra, já que a estação triangular permitia isso. Em primeiro plano, a ponte sobre o rio Arrudas, indo para Sabará, Santa Bárbara e Nova Era, no sentido para Vitória - ES. Ao que tudo indica, o Trem de passageiros da esquerda, é o antigo NF-1 = Noturno de Nova Era, vindo de Belo Horizonte e que fazia correspondência com o Trem da E. F. Vitória a Minas em Nova Era - MG.


Hoje em dia, ainda é possível ver traços dos antigos ramais (Parte do Ramal de Nova Era e o Ramal de Belo Horizonte), através da imagem do Google Earth, 2014. Confesso que é uma cena muito triste de se ver, pois mostra o abandono quase completo de uma parte importantíssima de nossa história e memória, de nosso patrimônio histórico-ferroviário. Muito triste a cena, vejam:









As setas em branco, indicam os Ramais, de Nova Era (à direita) de Belo Horizonte (Abaixo) e parte da Linha do Centro em direção à Montes Claros - MG.

Para esclarecimento de quaisquer dúvidas, vejam o Mapa da Linha do Centro, da EFCB, abaixo, ano 1970.

http://vfco.brazilia.jor.br/ferrovias/mapas/1970rffsa06central.shtml


Hoje, resta apenas o vazio, a tristeza, a saudade de um tempo que se foi, um tempo glorioso e poético e o testemunho silencioso de uma magnífica história esquecida pela sociedade, perdida no tempo.